10 de junho de 2021

Não deixarei o meu silêncio denunciar

'Da net'

*****

Não quero ser o entrave no teu mundo
Nem ser a razão, pela tua dura tristeza
Não quero ser o amargor, na incerteza
Gostaria de ser, o outro lado, profundo
*
Não deixarei o meu silêncio denunciar
Nem saberás o quanto eu te quero bem
Como o sol da primavera, que também
Se esconde, da felicidade, sem suplicar
*
Um coração de bom fundo, como o teu
É difícil dizer que não ao esquecimento
Quando parte do teu memorial é o meu
*
Não quero ser a palavra depois da vida
Nem saber muito, além do firmamento
Mas quero ser, a tua recordação vivida
*****
Cidália Ferreira 

8 de junho de 2021

Não desejo ser a deusa do teu mar


 ****
Desejo tanto daquela maresia
Como de alimento para minha alma
Que a recebe faminta, feliz
Se deixa levar pelo som das ondas,
E num vaguear pelo infinito
Sinto um arrepio, um louco desejo
De querer viajar sem destino
Para longe que fosse, por um só dia
*
Não desejo ser a deusa do teu mar
Mas desejo se amada como o vento
Se este vento, num sussurro lento
Me disser, estou de volta para te amar
*
Desejo, de um areal perfumado a sal
A rochas brilhantes
O céu matizado, sem tempestade,
A candura das ondas a meus pés
Provocam-me na mente um arrepio,
O desejo, a avidez, alegria de estar
Sentindo a brisa em meu rosto carente
Tantas vezes, num silêncio colossal.

****
Cidália Ferreira

6 de junho de 2021

As cartas escritas com nostalgia ...

*****
Nem sempre lágrimas nem sempre amor
Nem sempre as amarguras fazem chorar
Nem sempre as lágrimas são o desamor
Mas sempre há palavras fazendo sonhar
*
Existem as cartas escritas com nostalgia
Que são guardadas no coração do tempo
Onde tantos momentos fizeram da magia
E horas passadas em pranto e destempo
*
Nem sempre as palavras foram as certas
Nem sempre...mas o sentimento verídico
É do mais importante, nas horas incertas
*
E das cartas que já escrevi e não mandei
Existe sempre um amor que não é fictício
Mas existe... nesta vida que sempre amei
****
Cidália Ferreira.

4 de junho de 2021

Olhar intrínseco ...

 *****

Dou por mim, num olhar vazio, dúbio
Rodeada de pensamentos intrínsecos
Recordações que passaram de físicos
Ao estado, de uma alma em distúrbio
*
Um olhar perde o brilho quando sofre
E quando, humedecidos, se escondem
E de um sofrimento sigiloso, padecem
Não há sentimentos, caiando em sorte
*
E quantas vezes o meu olhar se cruzou
Com vontade, de beijar teu sentimento
Entrando da pureza do meu sofrimento
Fica a ilusão... que tudo o tempo levou
****
Cidália Ferreira 

2 de junho de 2021

A multidão do deserto desaparece


 *****
A terra secou, e tudo ficou tão cinzento
As ervas ficaram retidas no chão
As brechas são engolidas pelo vento
E tudo o que o tempo trouxe levou em vão
.
Pode nascer uma flor, num desconhecido
Por, em seu redor, não existir viva alma
Tudo seca, mas antes não tivesse nascido
Neste asfalto mortiço, que se desalma
.
Tanta secura, numa saudade tanto dói
A multidão do deserto desaparece
A solidão e a secura não mata, mas mói
Na vida, mais nada existe, resta a prece
.
Uma flor sozinha não dorme, e desinquieta
A terra seca, é transformada em pesadelo
No cinzento dos dias. Silenciosa, indiscreta
Assim vive sozinha, uma flor, em desmazelo
*****
Cidália Ferreira