quarta-feira, 21 de outubro de 2020

Morre lentamente ...


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Morre lentamente o outono envergonhado
Morre lentamente o lixo das sarjetas
Morre lentamente, a alegria que ainda existe
Morre lentamente este sonho enamorado
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Observo a janela que suporta o temporal
Observo as árvores que sacodem os ramos
Observo, e como é dura a realidade
Observo, como a solidão é surreal
*
Uma bebida quente para acalentar a alma
Um livro em branco já desgasto pelo tempo
Uma cadeira rodando acalçando o horizonte
Escorre a chuva pela vidraça, que se desalma
*
Imagino, quão furioso, está o tempo lá fora
Imagino as sarjetas carregadas, inundadas
Imagino, a aflição de cada um, que o sente
Morre lentamente, o outono, chegando a hora
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Cidália Ferreira 

terça-feira, 20 de outubro de 2020

Quão cinzenta é a vida ...

 

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Há uma tempestade que se aproxima
Pelo calor que se sente
Da desconfiança, medo de acreditar
Que o tempo poderá mudar
Numa anunciada ventania, estranha
Sacudindo tudo, ferozmente
Deixando no ar uma certa melancolia
*
O céu mostra nas cores um estranho matizado
Há uma tristeza invade toda a minha alma
Que se esconde entre silêncio e solidão
Porque é difícil controlar a emoção
Tudo fica numa alvoroçada tristeza
Tudo é revolta, e nada me acalma
Sinto-me sozinha no meio das entrelinhas
*
E ao ouvir cair a chuva nos beirais
Observo, o quão cinzenta é a vida
Quando se sente partir os demais
Fica um sentimento forte, à deriva
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Cidália Ferreira

domingo, 18 de outubro de 2020

O desejo dos dias com cor...

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Ainda existe um pouco de esperança
No meio de tanta turbulência, agonia
Medo de deambular na bruma do dia
Mesmo que a solidão seja a distância
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Até as flores enjeitadas nos canteiros
Sentem a solidão passando a seu lado
Sentem, que a brisa  do dia enevoado
Podem tornar os amores aventureiros
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Mas tudo em volta parece uma ilusão
Como as promessas feitas em outrora
Que tudo era diferente, tudo era amor
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Mas, se bem entendo o meu coração
Nem tudo é nocivo, depende da hora
Porque hão-de chegar os dias com cor
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Cidália Ferreira 

sexta-feira, 16 de outubro de 2020

Baloiço do tempo...

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Algures num baloiço observando o tempo
Temendo as intempéries, e em cada sonho
Um vazio no horizonte, uma brisa doentia
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Nem o sol brilha da mesma profundidade
Nem as aves esvoaçam com a mesma luta
Nem o tempo passa, dum pesadelo surreal
*
Sinto, que uma pressão, no ar que respiro
Me sufoca o pensamento, e não se liberta
Da alma que se sente vazia, e tão sozinha
*
Das minhas palavras que imagino escrever
Se o tempo, me deixar respirar, no meu eu
Libertar-me-ei, dos delírios, que sonho ter
*
Do vazio onde retiro os meus pensamentos
Falo sozinha, encho o coração de saudades
E sorrio para o tempo que faz à minha volta
*
E se o tempo, não chegar a tempo de te ver
Certamente que te guardo no meu cantinho
Esperando que melhores dias nos chegarão
*
Se encontrares um baloiço vazio, é o nosso
Aquele onde tantas vezes sonhamos os dois
Mesmo, que a solidão, fosse a companheira
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Cidália Ferreira 

quarta-feira, 14 de outubro de 2020

Inocência confinada...

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Sente-se nas folhas a intensidade
De um outono empurrado pelo vento
Secas, agrestes, amontoadas
Inundando jardins com voracidade
Mostrando a maldade do tempo
Onde se perde a beleza dos olhares
De quem passa e não gosta de ver
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E na inocência de qualquer criança
Que faz da brincadeira a sua alegria
Jogando pelo ar folhas ressequidas
Na sua simplicidade de esperança
Das folhas em movimento, a magia,
O erro humano, o desleixe
Onde o perigo espreita sem saber
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Fecham-se portas, abre-se o receio
Abrem-se os olhares confinados
Corações atentos e saturados
De tudo o que enlaça este passeio
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Cidália Ferreira

segunda-feira, 12 de outubro de 2020

Flores que sublimam o olhar

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Verdes são os campos em tempos de pandemia
Coloridas são as flores que sublimam um olhar
Quando, embriagado, por um simples desfolhar
Deixando ardente um sentimento que se perdia
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Aragem perfumada, são as partículas da saudade
O amor que se busca em cada pétala que se colhe
O consolo que assossega, porque alguém escolhe
Os caminhos que nos guiam buscando felicidade
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Verdes são os campos, em qualquer uma estação
Onde se soltam em liberdade nulos pensamentos
Onde se revigore a vida, a alma, numa só difusão
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Mesmo, que a paixão pelos campos, seja ardente
O caminho se faça no silêncio em complementos
Haverá uma paz que se busca, e entrará na mente
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Cidália Ferreira

sábado, 10 de outubro de 2020

Felicidade...

 

Não existe felicidade maior que ver a Família a aumentar. Vem aí mais uma Maria. Que orgulhosa me sinto por poder partilhar esta alegria convosco. No inicio de 2021 chegará a nós! 

Desejo-vos um excelente fim de semana. 
Amanhã colocarei as visitas em dia.  Cidália Ferreira.