As minhas memórias,
entre conversas atuais fizeram-me sonhar com a realidade de outrora.
Recuei às memórias do escudo, do centavo, do tostão e até do meio
tostão. Do cartucho de papel pardo, onde se levava o arroz, o
açúcar, o grão, em poucas quantidades, e outras coisas. A balança era com
os pesos de quilos... [Quem for da minha idade ou mais velha/o sabe do
que falo.] Também se comprava a fruta entre outras coisas por conta -
à dúzia, ao quarteirão. “E quem se lembra da arroba, e do
almude?”
Na zona onde nasci havia
a tradicional mercearia, onde existia um livro de apontamentos,
estreito de largura, mas comprido, onde a Srª Glória apontava as
despesas das muitas clientes que tinha, porque naquele tempo apenas
haviam as mercearias, e não eram assim tantas! Naquele tempo pagava-se ao fim do mês. O que mais me admirava era a
eficácia e rapidez com que a Srª Glória fazia as contas, sem
qualquer calculadora, no fim tirava a prova dos nove e dava tudo
certo.
O meu sonho voltou àquele
lugar. Aquela mesma mercearia, já transformada num café, com a
mesma estética, com as pessoas desse tempo, com os descendentes, os mais
novos, mas muito mais gente. Naquela altura, falava-se, que, em Alagôa
podia ter uma Capela, pelos habitantes que tinha. Nunca teve. No meu
sonho, festejava-se a inauguração da capela, mesmo naquele largo da
loja da Srª Glória. Foi um sonho, mas cheio de realidade daquele tempo.
Foi tão bom viajar ao passado num sonho. Por
vezes, as conversas que temos no nosso dia a dia, transportam-nos às
coisas boas. É caso para dizer, era-se feliz e não se sabia. Existem sonhos maravilhosos no qual não apetece acordar!
Conclusão: A casa ainda existe. O “comercio” não. A Srª Gloria já desviveu. Em sua
casa, no exterior, existe uma Capelinha, feita pelos filhos, à
vontade da Mãe Glória.
Cidália Ferreira.
Um bom fim de semana para todos.