quarta-feira, 16 de junho de 2021

Pensamento que enaltece ...

~~~~
Passeei sozinha pelo areal molhado
Praia vazia
Sentia o iodo em meu rosto,
Talvez fosse o cheiro a maresia
Que me inebriava os sentidos
E levava o pensamento
Para longe, e para meu gosto
Sentia um ligeiro frenesim
Pelo pensamento que enaltecia
O meu corpo, desnudo, e arrepiado
*
Na areia molhada desenhei com arte
O mais importante de nós dois
A bondade que nele habita
O resto, deixo para depois,
E enquanto o sol me encanta
Ouço as ondas suavemente
Num som que me incita
Me deixa os sentidos em agitação
Pela praia vazia e bela
Num qualquer areal, em qualquer parte.
~~~~
Cidália Ferreira

terça-feira, 15 de junho de 2021

Neste mundo aonde me permito vaguear

 ~~~~

Carrego sobre mim uma nuvem cinzenta
Uma emoção, por vezes cruel. Fantasia
De quem vive e sofre, mas sem demasia
E sob as nuvens do oásis sou ciumenta
*
Neste mundo aonde me permito vaguear
Sinto o meu coração inflamado, sem cor
Sinto, que tudo o que morreu deixou dor
Como o céu carregado prestes a trovejar
*
Carrego sentimentos e segredos sem fim
Carrego o amor verdadeiro que te revelei
E por momentos pressinto que já não sei
Que fazer, para afastar a nuvem de mim
~~~~
Cidália Ferreira 

domingo, 13 de junho de 2021

Que a Paz permaneça em cada casa


O meu desejo para hoje, é que todos tenhamos um Domingo muito feliz. Que a paz e a harmonia reine em casa de todas as famílias...

Hoje, em especial, é dia de festa em casa da neta, Maria Clara. Celebra os seus 6 anos de vida, com muita alegria e nova etapa da vida dela e dos Papás. Portanto, vou estar em família, mesmo só os mais chegados, e para que não houvesse ajuntamentos, dividiram a festa em dois dias. Dispendioso, mas, certamente mais seguro para todos. Maternos num dia e Paternos no outro.



Amanhã voltarei para visitar cada cantinho vosso. BOM DOMINGO 🌹

Cidália Ferreira
 

sábado, 12 de junho de 2021

Já me cruzei num tempo orvalhado

 ~~~~

Já deambulei por caminhos sem fim
Vi paisagens cheias de vida
Vi árvores, velhinhas, floreadas
Já observei o tempo, sozinha
Deixando escapar um murmúrio
Sobre a beleza que meus olhos viram
*
Já me cruzei num tempo orvalhado
Já fiz do sol a minha vitamina
Já percorri por tantos recantos
Já tive paixões perdidas
Já vivi tão sozinha, por aí
Já dei por mim, pisar no molhado
*
Já fiz tantas coisas erradas, e certas
Já fui menina, agora mulher
Já fui perfume do frasco dalguém
Já fui fonte, já saciei, dela bebi
Hoje, dou apenas, a volta ao passado
Pela vida... e pelas veredas incertas

~~~~~

Cidália Ferreira 

quinta-feira, 10 de junho de 2021

Não deixarei o meu silêncio denunciar

'Da net'

*****

Não quero ser o entrave no teu mundo
Nem ser a razão, pela tua dura tristeza
Não quero ser o amargor, na incerteza
Gostaria de ser, o outro lado, profundo
*
Não deixarei o meu silêncio denunciar
Nem saberás o quanto eu te quero bem
Como o sol da primavera, que também
Se esconde, da felicidade, sem suplicar
*
Um coração de bom fundo, como o teu
É difícil dizer que não ao esquecimento
Quando parte do teu memorial é o meu
*
Não quero ser a palavra depois da vida
Nem saber muito, além do firmamento
Mas quero ser, a tua recordação vivida
*****
Cidália Ferreira 

terça-feira, 8 de junho de 2021

Não desejo ser a deusa do teu mar


 ****
Desejo tanto daquela maresia
Como de alimento para minha alma
Que a recebe faminta, feliz
Se deixa levar pelo som das ondas,
E num vaguear pelo infinito
Sinto um arrepio, um louco desejo
De querer viajar sem destino
Para longe que fosse, por um só dia
*
Não desejo ser a deusa do teu mar
Mas desejo se amada como o vento
Se este vento, num sussurro lento
Me disser, estou de volta para te amar
*
Desejo, de um areal perfumado a sal
A rochas brilhantes
O céu matizado, sem tempestade,
A candura das ondas a meus pés
Provocam-me na mente um arrepio,
O desejo, a avidez, alegria de estar
Sentindo a brisa em meu rosto carente
Tantas vezes, num silêncio colossal.

****
Cidália Ferreira

domingo, 6 de junho de 2021

As cartas escritas com nostalgia ...

*****
Nem sempre lágrimas nem sempre amor
Nem sempre as amarguras fazem chorar
Nem sempre as lágrimas são o desamor
Mas sempre há palavras fazendo sonhar
*
Existem as cartas escritas com nostalgia
Que são guardadas no coração do tempo
Onde tantos momentos fizeram da magia
E horas passadas em pranto e destempo
*
Nem sempre as palavras foram as certas
Nem sempre...mas o sentimento verídico
É do mais importante, nas horas incertas
*
E das cartas que já escrevi e não mandei
Existe sempre um amor que não é fictício
Mas existe... nesta vida que sempre amei
****
Cidália Ferreira.

sexta-feira, 4 de junho de 2021

Olhar intrínseco ...

 *****

Dou por mim, num olhar vazio, dúbio
Rodeada de pensamentos intrínsecos
Recordações que passaram de físicos
Ao estado, de uma alma em distúrbio
*
Um olhar perde o brilho quando sofre
E quando, humedecidos, se escondem
E de um sofrimento sigiloso, padecem
Não há sentimentos, caiando em sorte
*
E quantas vezes o meu olhar se cruzou
Com vontade, de beijar teu sentimento
Entrando da pureza do meu sofrimento
Fica a ilusão... que tudo o tempo levou
****
Cidália Ferreira 

quarta-feira, 2 de junho de 2021

A multidão do deserto desaparece


 *****
A terra secou, e tudo ficou tão cinzento
As ervas ficaram retidas no chão
As brechas são engolidas pelo vento
E tudo o que o tempo trouxe levou em vão
.
Pode nascer uma flor, num desconhecido
Por, em seu redor, não existir viva alma
Tudo seca, mas antes não tivesse nascido
Neste asfalto mortiço, que se desalma
.
Tanta secura, numa saudade tanto dói
A multidão do deserto desaparece
A solidão e a secura não mata, mas mói
Na vida, mais nada existe, resta a prece
.
Uma flor sozinha não dorme, e desinquieta
A terra seca, é transformada em pesadelo
No cinzento dos dias. Silenciosa, indiscreta
Assim vive sozinha, uma flor, em desmazelo
*****
Cidália Ferreira

segunda-feira, 31 de maio de 2021

Caem gotículas do meu rosto vazio


****

Correm as mágoas pelo rio abaixo

Levando as palavras insignificantes

Deixando a amargura nas margens

*

Quando a tempestade se repousar

E com ela o sentimento adormecer

De certo, que acordará, silencioso

*

A fluente que leva a paixão mortiça

Deixa nas águas mensagens banais

Dilacerando o coração, gota a gota 

*

Correm as mágoas, como ninguém

Olha-se a margem do rio, e tão frio

Caem gotículas do meu rosto vazio

****

Cidália Ferreira