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Chove no asfalto num momento solitário
Onde já não existe viva alma
Apenas o ruído da chuva, uma flor
sozinha
E o cinzento do chão por trilhar
São o ex-libris de qualquer alma
Que se encontra o mundo ao contrário
*
Uma flor viçosa, sozinha em qualquer
lugar
Sobrevivente de uma nefasta solidão
Mostra ao tempo como se cresce
E no meio do nada se floresce
Animando quem observa, com emoção
Deixando preso, por ali, o seu olhar
*
Chove, numa primavera em quarentena
Tudo o que parece esmorecer
Agarra com toda a força, a vida
Não se deixa vencer, e florida
Mantém a solidão para rejuvenescer
Ensinando-nos afinal, que viver vale a
pena.
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Cidália Ferreira






