
Não havia frio, não havia perfeição
Não apareceram as aves para me
consolarem,
Não havia sol, ainda, apenas uma
frescura
Do silencioso amanhecer em meu corpo
Despido de nadas, ou talvez muitos,
Não havia ninguém para alegrar meu
coração
Onde neste lugar te esperava por
loucura
.
O sol acabara de nascer, meu olhar
enterneceu
Ainda que fossem apenas uns raios
espreitando
Meu corpo recebia-os como alguém que
conheceu
E na memória do meu corpo as coisas
foram ficando
.
Não havia frio, porque imaginava tua
presença
Imaginava-nos rodeados, de flores
silvestres, perfumadas
Ainda que o momento me faça lembrar
com saudade
Aquela, que só tu sabes, porque sou a
lealdade
Sou um corpo despido onde tudo é
transparecia
Como notas musicais e poesias orvalhadas
Onde existe uma verdade. É a minha
vida, uma sentença.
***
Cidália Ferreira


