30 de outubro de 2019

Ouvi nas ondas revoltas palavras cruas

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Adormeci na inocência do meu sonho
Fui ao cais, do amor que me esqueceu
Senti as ondas num reboliço medonho
Sonhei com um amor que não era meu
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Ouvi nas ondas revoltas palavras cruas
Dentro de sonhos em que a tristeza dói
Senti falta de afeição nas palavras tuas
Como uma saudade que na alma corrói
*
Até a brisa afaga um destino de revolta
E num abandono, sonho ir mar adentro
Em despojo dum sentimento sem volta
*
Adormeci, vendo a lua passar por além
Acordei por instantes não me concentro
Numa inocência, onde não sou ninguém
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Cidália Ferreira

28 de outubro de 2019

O Tempo caminha sozinho...

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De costas voltadas ao meu destino
Entre meros e insanos pensamentos
Vidraças envelhecidas, estilhaçadas
Árvores, com velhas folhas, já caídas
Onde tudo me faz vaguear em desatino
*
Olho para além do meu horizonte
Não encontro as palavras certas
Para decifrar este sentimento
Que me causa estranheza constante
E tudo o que vejo aparece defronte
*
Há uma ponte que separa um caminho
De tudo, o que já fantasiei
Hoje, apenas lembranças existem
Nada mais é meu, tudo perdi
Hoje, apenas o tempo caminha sozinho
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Cidália Ferreira.

26 de outubro de 2019

A tristeza é instinto ...

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Horas angustiantes...Triste solidão
Quando me deparo com tempestade
Olhar a rua e pensar, que foi ilusão
Inquietação, das coisas pela metade
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Sinto o frio nas palavras do tempo
Sinto-me sozinha e deveras ansiosa
No meio d'uma chuva de tormento
Numa angustia, louca, e impetuosa
*
Triste sina...esta solidão sem sentido
Ver a chuva cair são tormentos meus
Quando preciso de um afago sustido
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Nas horas vazias do tempo, eu sinto
Que falta me fazem os carinhos teus
Mas a chuva cai, a tristeza é instinto
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Cidália Ferreira

24 de outubro de 2019

Pode existir outono sem melancolia

Podem existir cascatas de amor
Com salpicos de ternura e saudade
Não importa se é outono ou primavera
Ou se a solidão me invade
Quando mergulho nesta quimera
*
Podem existir momentos de dor
Uma dor que me acarinha a mente
Quando as palavras são puro elixir
E o coração, por momentos, carente
Numa saudade que não consegue mentir
*
Podem existir cascatas em meu redor
Onde pudesse encontrar meu porto de abrigo
Seres tu, a fonte, da minha imaginação
Dividiria o meu corpo, ali, contigo
Apenas para consolo da nossa ilusão
*
Pode existir outono sem melancolia
Se os teus dias forem de sol interno
Se as minha palavras forem o alimento
Os teus pensamentos deixarem de ser inferno
E as flores, forem o teu elixir mais intenso.
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Cidália Ferreira 

22 de outubro de 2019

Sonho d'alma livre...

Sonho d'alma livre, mas tão preocupada
Com a natureza, que se desnuda em vão
Ventos nos sussurram em afagos e união
Motivo, pela nossa alma ser apaixonada
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Um banco sozinho, que tão bem espera
Uma árvore desnuda dum amor sincero
Duas almas se juntam, e sem desespero
Porque sobretudo, há amor, que impera
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Pode o mundo ser pequeno, e só nosso
Podes abraçar-me em terno sentimento
Ninguém porventura terá o argumento
De nos retirar este momento, poderoso
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Cidália Ferreira.