quarta-feira, 10 de junho de 2020

Pele aveludada onde passeiam os sábios.

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Noite escura, ambiente calmo, e a fragrância
Corpos enlaçados, sonhos perdidos em beijos
Vozes que entoam, num labirinto de desejos
Onde as carícias são gestos...longa distância
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Pele aveludada, deixando percorrer os lábios
Entre o medo e o receio, existe uma verdade
O sonho é a magia feita doçura, é a realidade
Desta noite calma aonde passeiam os sábios
*
Fragrância tropical, cálida, mas tão protetora
Que deixa qualquer dos sentidos, embriagado
Onde a qualquer momento me sinto sedutora
*
Noite escura na ilusão d'um coração solitário
Vagueando livremente num corpo aveludado
Dos meus sonhos que entrego ao destinatário
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Cidália Ferreira 

segunda-feira, 8 de junho de 2020

As nuvens são castelos, onde desejo viver

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No azul do céu, revejo a cor, do teu olhar
Sinto que as emoções me afloram a mente
Sinto-me como uma flor, pura, irreverente
Numa alegria que se sente, pairando no ar
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As nuvens são castelos, onde desejo viver
Onde desejo deixar o coração, repousando
Mesmo que pressinta a agitação passando
Ficarei contemplando a cor do meu querer
*
No azul celeste, onde as flores são dádivas
Os arco-íris, será, a esperança que me guia
Mesmo que me encontre só, com nostalgia
O azul do céu será sempre, de expectativas
*
Na cor do teu olhar recordando outras vidas
E na flor, aquela saudade...ainda permanece
Nunca, outro alguém o meu coração merece
Nem que o céu, seja o fim d'minhas dúvidas
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Cidália Ferreira

domingo, 7 de junho de 2020

Preciso olhar nos olhos de alguém

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Mostro o meu lado mais sensível
O olhar tão distante
Entristecido
Galante
Que esconde não sei o quê
Nem porquê,
Talvez uma lágrima
Na transparência
Escondida na inocência
Me rasgue no sentido irreversível
*
Mostro no sentimento mais puro
O olhar, que sorri
Que chora
O que faz qualquer sinal
Dando a supor, que estou aqui
Me manifesto com o olhar
Onde
Tantas vezes me escondo
Das agruras que tentam magoar,
Preciso aliviar o olhar sem demora
*
Preciso secar as lágrimas escondidas
Do sorriso que me roubaram
De abrir o meu coração
Manter a respiração,
Preciso de olhar nos olhos
De alguém,
De alguém, que não existe
Talvez a mente se sinta bem
Neste meu olhar
Que pertence a todos, e a ninguém!
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Cidália Ferreira

sábado, 6 de junho de 2020

Estória esculpida no meu coração

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Descrevo-te, como uma estória do meu passado
Quando a solidão, eram paredes vazias, da vida
Eram silenciadas por palavras tuas. Mas ousado
Ficaste marcado no meu livro de vida, já vivida
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Silenciosamente, apareceste-me e foste entrando
Foste ficando na minha vida qual livro de estante
Foste escrevendo comigo, a estória do entretanto
Assim marcaste a minha vida...e pareces distante
*
Descrevo-te como uma jóia rara que tanto estimo
Como o pilar de todas as horas, passado, presente
Que me protegia em momentos, era do teu íntimo
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Cada página virada, tem uma nova vida e emoção
É um turbilhão de sentimentos, e que, eternamente
Ficas na minha estória, esculpido, no meu coração
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Cidália Ferreira

quinta-feira, 4 de junho de 2020

A esperança pode renascer no amanhã

"Imagem de Ana lobo"
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Tudo muda, tudo se modifica
O que ontem foi um turbilhão de momentos
Hoje é, uma luta constante
Um atropelo de gente sem noção
Que respiram como se este mundo
Estivesse, em movimento,
O mundo está meio suspenso
Seco, acabado, e triste
Mas a esperança pode renascer
Se cada um se fizer obedecer,
Porque nem uma semente desiste
*
A esperança pode renascer no amanhã
Quando tudo perece ter morrido
Nascem flores que perecem distantes
Explanado o que é da natureza
Abrindo uma brecha em cada coração
Reforçando a esperança que possa existir,
Pode um árido momento em manifesto
Ter o poder de florir com emoção
Para que o mundo possa recomeçar
Conciso, e muito devagar
Tudo muda, é preciso nunca desistir!
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Cidália Ferreira 

quarta-feira, 3 de junho de 2020

Areia molhada, e um silêncio no coração.

[Imagem de Luísa Martins]
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Serenamente numa contemplação do imaginário
Onde se soltam as ondas tão calmas, já desfeitas
Sente-se uma brisa marinha, a beleza do cenário
Que assossega a alma de quem as sente, deleitas
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Areia molhada, pegadas, um silêncio no coração
Alegria no olhar captando a beleza do horizonte
Não existe magia maior, que o sentir da emoção
E observar o pôr-do-sol, que algures se desponte
*
Serenamente e conversando com o companheiro
Mesmo que não te responda, mostra a felicidade
E, na importância que faz, a verdadeira lealdade
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Praia deserta de gente, mas um mar conselheiro
E um certo alívio na mente, para reatar a labuta
Numa vida marcada pela diferença, em permuta
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Cidália Ferreira

terça-feira, 2 de junho de 2020

Queria ter o poder da bonança

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Queria ser outra vez criança
Que outrora cresceu
Sem mimos, sem beijos
Sem afectos
Sem brinquedos, sem estórias
Sem coisas banais
Apenas vivendo memórias
Sem que nunca houvesse fome
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Queria ver as crianças, d'agora
A brincar pelos quintais
Bairros cheios
Brincadeiras originais
O jogo da macaca, do lenço
Até a corda saltava, era alegria
E o jogo das escondidas
Enquanto fosse de dia
*
As roupas sujas de felicidade
As desavenças
A união que nos fazia crescer
Os ralhetes, o respeito
As brincadeiras sem maldade
Onde tantas crianças juntas
Sorriam... choravam
Mas sempre crianças ao seu jeito
*
Queria ser outra vez Criança
Recuar no tempo, na aprendizagem
Queria ter o poder da bonança
Para, As proteger, da libertinagem
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Cidália Ferreira